O que é empreendedorismo e quais são as principais características comportamentais dos empreendedores?

O termo empreendedorismo foi utilizado pela primeira vez, como peça central na obra do economista austríaco Joseph Schumpeter – Teoria do Desenvolvimento Econômico, em 1912. O empreendedorismo na visão de Schumpeter só aconteceria se as pessoas fossem versáteis, com conhecimento em várias áreas como: técnicas de produção, gerência de recursos financeiros, operações internas e vendas (SHUMPETER, 1982).

De acordo com Dornelas (2005, p. 39) empreendedorismo “é o envolvimento de pessoas e processos que, em conjunto, levam à transformação de ideias em oportunidades”. Outro conceito bastante aceito no meio acadêmico e corporativo é o do estudioso em empreendedorismo, Robert Hirsch. Segundo o autor, empreendedorismo é o processo de criar algo diferente e com valor, dedicando tempo e o esforço necessários, tendo predisposição a assumir os riscos financeiros, psicológicos e sociais inerentes ao negócio, recebendo consequentemente, se bem-sucedido, recompensas econômicas e pessoais (HIRSCH, 2009).

O empreendedorismo é visto atualmente como uma “alavanca para o desenvolvimento econômico e social de um país” (SOUZA, 2013, p. 7). Pois quanto mais negócios forem criados, mais empregos, renda e impostos serão gerados, impulsionando o crescimento e desenvolvimento do país. O estímulo ao empreendedorismo representa um passo significativo em direção à retomada do crescimento econômico brasileiro, atualmente estagnado, devido à crise política e financeira.

Empreendedor

Dentro do empreendedorismo existe a figura do empreendedor que Schumpeter (1982) conceitua como o responsável por novas combinações. Essas combinações podem ser a introdução de um bem, de um novo método de produção ou comercialização, pode ser através da abertura de novos mercados, estabelecendo uma nova organização numa indústria e descobrindo novas maneiras de realizar. Em síntese Schumpeter define o empreendedor como o agente capaz de destruir o velho, para construir o novo, através do processo que ele denominou de “destruição criativa”.

Na perspectiva de Dornelas (2005, p. 39), empreendedor “é aquele que detecta uma oportunidade e cria um negócio para capitalizar sobre ela, assumindo riscos calculados”. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, Sebrae (2016), afirma que, acima de tudo, o empreendedor é um realizador; é alguém que vê o que ninguém vê; é alguém que tem a capacidade de sair do campo dos desejos e sonhos, e parte para a ação. Dentro desse contexto o Sebrae identificou as 10 principais características dos empreendedores que são:

  1. Busca de oportunidade e iniciativa: agir com proatividade, antecipando-se as situações, buscando sempre a possibilidade de expandir o negócio;
  2. Persistência: não desiste diante de obstáculos e esforça-se além da média para atingir seus objetivos;
  3. Correr riscos calculados: procura avaliar alternativas para tomar decisões, buscando reduzir as chances de erro;
  4. Exigência de qualidade e eficiência: Busca satisfazer e exceder as expectativas dos clientes, criando procedimentos para cumprir prazos e padrões de qualidade e melhora continuamente seus negócios e seus produtos;
  5. Comprometimento: Traz para si as responsabilidades sobre sucesso e fracasso do negócio e atua em conjunto com a equipe para atingir os resultados;
  6. Busca de informações: envolve-se pessoalmente na avaliação do seu mercado, investigando sempre como oferecer novos produtos e serviços e busca a orientação de especialistas para decidir, sempre que necessário;
  7. Estabelecimento de metas: persegue objetivos desafiantes e importantes para si mesmo, criando objetivos mensuráveis, com indicadores de resultados e tem clara visão de longo prazo;
  8. Planejamento e monitoramento sistemáticos: enfrenta grandes desafios, agindo por etapas. Adequa rapidamente seus planos às mudanças e variáveis de mercado e acompanha os indicadores financeiros e os leva em consideração no momento de tomada de decisão;
  9. Persuasão e rede de contatos: cria estratégias para conseguir apoio para os seus projetos e obtém apoio de pessoas chaves para seus objetivos. Desenvolve redes de contatos e constrói bons relacionamentos comerciais;
  10. Independência e autoconfiança: confia em suas próprias opiniões mais do que nas dos outros, é otimista e determinado, mesmo diante da oposição e transmite confiança na sua própria capacidade.

Essas dez principais características comportamentais dos empreendedores, em certo nível são possíveis de serem identificadas nos quatro principais tipos de empreendedores: empreendedor de oportunidade, empreendedor por necessidade, empreendedor corporativo e empreendedor social. Assunto de um próximo artigo.