Tecnologia transforma toques na tela do celular em energia

Poucas características dos smartphones em geral irritam mais do que a curta duração da bateria, mas este problema pode ser solucionado em breve. Engenheiros da Universidade Estadual de Michigan, nos EUA, desenvolveram uma forma de gerar energia pelo movimento humano, usando um dispositivo que pode ser dobrado para criar mais força com o simples ato de tocar e apertar a tela para navegar entre as funções do aparelho. Rick Osterloh, vice-presidente da Hardware do Google, apresenta o Pixel durante evento em São Francisco, na Califórnia

No experimento em laboratório, os pesquisadores foram capazes de operar uma tela de LCD sensível ao toque, uma luminária com 20 lâmpadas LED e um teclado flexível apenas com esse dispositivo, sem o apoio de uma bateria. O feito foi descrito no periódico “Nano Energy”, e sugere que “nós estamos no caminho para criar dispositivos vestíveis abastecidos pelo movimento humano”.

— O que eu prevejo, para o futuro relativamente breve, é a capacidade de não termos que recarregar nossos telefones por uma semana, por exemplo, por causa da energia que será produzida pelo seu movimento — disse Nelson Sepulveda, professor da Universidade Estadual de Michigan e líder do estudo.

O processo inovador começa com uma espécie de “bolacha de silicone”, que é fabricada com várias camadas ultrafinas, com substâncias que incluem a prata, a poliimida (polímero de monômeros de imida, adequado para uso em altas temperaturas) e o polipropileno ferro elétrico. Íons são adicionados para que cada camada contenha partículas carregadas. Dessa forma, energia elétrica é gerada quando o dispositivo é pressionado pelo movimento humano.

O dispositivo é tão fino como uma folha de papel, e pode ser adaptado para diferentes tamanhos e aplicações. Para abastecer as luzes LED, foi necessário um equipamento do tamanho da palma da mão e, para a tela de LCD, foi usado um dispositivo tão pequeno quanto um dedo.

Os pesquisadores destacam algumas vantagens da tecnologia, como o pouco peso, a flexibilidade, escalabilidade e o baixo custo. Além disso, o dispositivo se torna mais poderoso quando dobrado.

— Cada vez que você dobra, você aumenta exponencialmente a quantidade de voltagem criada — disse Sepulveda. — Você pode começar com um dispositivo grande, mas você pode dobrá-lo várias vezes, tornando-o muito menor e com mais energia. Ele pode se tornar pequeno o bastante para ser colocado no salto do sapato e gerar energia cada vez que se pisa.

Fonte: O Globo