Serviço de carona BlaBlaCar chega ao Brasil

Quem já foi universitário sabe que caronas podem ser uma enorme mão na roda, com perdão do trocadinho bobo. Afinal, com o dinheiro tão contadinho, pegar uma carona e fazer um trajeto mais barato ou dar uma carona e rachar os custos da viagem são convenientes tanto pra caroneiro quanto para caronista. Uma experiência que deixa claro muitas vezes que conveniência, mobilidade e economia são possíveis em um mesmo momento, e ainda trazem de brinde ótimos amigos e conversas animadas.

Mas teve época em que a gente marcava carona pelo paleolítico email, que se mandava SMS para confirmar vaga no carro e até (pasmem!) se ligava para o motorista para reservar a vaga. Hoje, a tecnologia chega pra ajudar a fazer o processo de pegar carona ser ainda mais fácil. E, para felicidade de pais e mães desesperados (“como assim você vai pegar carona com alguém que você não conhece?!?!?”), torna também esse acordo de compartilhamento de carro bem mais seguro.

Depois de iniciativas como o Unicaronas, que há algum tempo foi comprado pela Tripda – falamos disso aqui no B9 no ano passado – quem chega agora pra acirrar a concorrência dos serviços de carona é o BlaBlaCar, serviço de carona famoso na Europa. Você provavelmente vai reparar que eles não são muito fãs do termo carona, preferindo chamar de ‘compartilhamento de viagem’, devido a uma conotação negativa ou a associação a um trajeto feito de forma gratuita. Mas, ó, cá entre nós? É carona mesmo.

Quem já fez mochilão no Velho Continente provavelmente já ouviu falar ou experimentou o BlaBlaCar, conhecido por fornecer trajetos baratos entre cidades da Europa e, de brinde, ainda ajudar o viajante a conversar um pouco com alguém local, transformando a carona em uma experiência de contato com a cultura. No início do ano muitos dos personagens que conversaram comigo falaram sobre a experiência com o BlaBlaCar dizendo que a grande vantagem era a facilidade de arranjar carona para diversos trajetos e ainda poder contar com a hospitalidade de alguns motoristas, que costumavam ser mais gentis quando sacavam que o caronista era estrangeiro.

Fama à parte, o funcionamento do sistema é bem básico, como qualquer outro serviço do tipo, focando em conectar pessoas que fazem um mesmo trajeto, permitindo avaliar quem pega e quem dá a carona e oferecendo através do sistema uma camada de “segurança”. Isso porque o BlaBlaCar se responsabiliza em “garantir” que aquela pessoa é real, permitindo o acesso apenas se houver a possibilidade de se conectar através de uma conta do Facebook.

Forçar a conexão através do Facebook pode ser um pouco limitante, já que quem não tem perfil na rede ficaria de fora do serviço. Mas ao mesmo tempo é também uma maneira de ‘terceirizar’ uma das garantias de que aquele usuário é real, já que o Facebook anda se esmerando em pedir documentos pra galera pra garantir que os perfis da rede são verdadeiros.

Regulamenção: Uber e BlaBlaCar

Chegando no Brasil oficialmente a partir desse mês, o BlaBlaCar aterrisa no país em um momento delicado, quando Uber e taxistas estão no auge das sua batalha – recentemente, um motorista de Uber chegou a ser espancado por taxistas em Porto Alegre, em um episódio repudioso. E o complicado é que carona também é algo delicado em termos de legislação. Na longíngua época de caronista universitária, lembro de existir um certo receio das pessoas que pegavam carona de serem paradas pela polícia rodoviária, que poderia considerar aquela ~modalidade de transporte~ ilegal. Mas o BlaBlaCar não parece preocupado com isso.

Em entrevista ao B9, Ricardo Leite, diretor do BlaBlaCar no Brasil, contou que não acredita que isso vá ser um problema, já que o modelo do sistema de carona não tem a intenção de gerar lucro para o motorista. O foco é ajudar as pessoas a compartilharem vagas ociosas nos seus veículos, intermediando o contato das pessoas que querem dar ou pegar caronas através de plataformas seguras. “Estamos prestando muita atenção nisso para que nenhum empecilho regulatório ou legal atrapalhe o crescimento da nossa comunidade”, defendeu ele.

Por enquanto o foco do BlaBlaCar no Brasil é realizar caronas intermunicipais, o que tira da jogada trajetos curtos dentro de uma mesma cidade. Isso acontece porque existe um custo mínimo onde a “corrida” pode ser viabilizada dentro do modelo de funcionamento do serviço, que daria em torno de 28 km percorridos. Ou seja, se você é de uma cidade próxima de SP e quer ir até a capital paulista, talvez ainda não dê pra usar o BlaBlaCar.

Em todo caso, restrições à parte, ainda pode ser uma alternativa para quem faz trajetos mais distantes com frequência, como o trecho Rio-SP, que numa carona costuma sair por menos que uma passagem de ônibus. Em grandes metrópoles, o app também se torna uma alternativa para quem faz trajetos intermunicipais, como acontece com frequência na grande SP e grande Rio – isso, claro, se o trajeto percorrido atingir o mínimo necessário pra poder ser colocado no sistema do BlaBlaCar.

Fonte: B9